Capa: Espodumênio, LiAl(SiO3)2, Localidade: Mina Urucum (Mina Tim; Pegmatito Córrego do Urucum), Galiléia, Vale do Rio Doce, Minas Gerais, Região Sudeste, Brasil. Tamanho: miniatura, 4 x 2,3 x 1,9 cm. Variedade de Espodumena: Kunzita. Este é um espécime fino e pequeno de Kunzita. A cor é um rosa agradável e uniforme por todo o cristal, o brilho e a transparência são soberbos e, para adicionar interesse, o cristal está geminado. Uma excelente miniatura estética. E totalmente transparente. Ex. Coleção Wendell E. Wilson. Robert M. Lavinsky, Creative Commons Attribution-Share Alike 3.0, março de 2010. Fonte: Wikimedia Commons.
Maurício Pinheiro

Dizem que o trânsito em minha cidade, Belo Horizonte, é um dos piores do país. É difícil entender por que, uma vez que também dizem que o mineiro, apesar de desconfiado, é também educado e hospitaleiro. Talvez, para nos ajudar a entender esse aparente paradoxo, devamos nos lembrar do “Estranho Caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde”. Robert Louis Stevenson sabia o que estava falando, e acredito que, no fundo, muitos belo-horizontinos se transformam em um Mr. Hyde quando estão atrás do volante (mesmo sem usar drogas). São mal educados, e eu me pergunto como obtiveram a licença para dirigir. Desconhecem o uso da seta, não sinalizam ao reduzir para parar, mudam de faixa sem ligar para quem vem na outra faixa, estacionam em locais proibidos e cometem muitas outras infrações.
E os motoqueiros … Só faltam passar por cima do seu carro, e quando, por ironia do destino ou obra de outro Mr. Hyde, você é forçado a parar, fechando o seu caminho, eles ficam loucos e começam a vociferar impropérios. Coitadas das mães inocentes. Como um bando loucos, nossos motoristas estão sempre em busca de seu espaço vital, mesmo que isso signifique bater seus carros, atropelar um adolescente distraído que atravessa a rua sem olhar enquanto checa seu Instagram, ou mesmo derrubar o seu entregador de iFood preferido.
Mas isso pode mudar. Quem sabe até o final da década, nossos Mr. Hydes sobre rodas sejam substituídos por eficientes e educadas inteligências artificiais controlando o volante, acelerador, rádio e ar-condicionado do carro. Bem, este artigo ainda não é o sobre carros autônomos, mas a ideia aqui é relatar indícios de que essa tecnologia está mais perto do que imaginamos, e ela provavelmente vem em parte do Brasil, e em parte da China…

A chinesa Great Wall Motors comprou a fábrica da Mercedes-Benz em Iracemápolis (SP) e iniciará suas atividades no país vendendo e montando exclusivamente veículos híbridos. Além disto o grupo Caoa Chery já está fabricando modelos híbridos em Anápolis (GO) e está se preparando para produzir veículos elétricos em sua fábrica em Jacareí. E mais, as notícias circulando pela rede há algumas semanas nos levam a crer que uma empresa chinesa (BYD) vai comprar a fábrica da Ford em Camaçari, Bahia. A viagem do nosso presidente à China, cancelada devido a uma pneumonia de última hora, tinha este tema na pauta: carros elétricos produzidos no Brasil para exportação. A China entrando na onda da globalização? Talvez. Mas não por causa da mão de obra barata, afinal todos sabemos como ela é cara no Brasil, mas por causa dos recursos naturais.


O buraco é mais embaixo e ele está relacionado a um elemento da tabela periódica de número atômico 3, muito abundante em espodumênios e feldspatos pegmatíticos do nordeste de Minas Gerais. Pegmatitos estes que os vi com meus próprios olhos numa expedição geológica que fiz no final dos anos 90 no vale do Jequitinhonha, MG. Adivinhem, é o lítio. E por quê? Por causa das baterias, um componente fundamental em carros elétricos e híbridos. O mesmo lítio que está na bateria do seu smartphone, do seu laptop, daquele drone espião, e até do seu cigarro eletrônico etc. Vale lembrar que estes mesmos pegmatitos são ricos em uma miríade de minerais gemológicos e de columbita e tantalita. Mas deixa para lá pois não estamos falando nem de Nióbio nem de Tântalo… Mas sim do pequenino Lítio.
Nossas reservas são impressionantes e já vêm sendo exploradas há décadas por empresas nacionais, como a Companhia Brasileira do Lítio. Há um burburinho de que alguns sócios dessas empresas estão se movimentando para exercer seu direito de compra e aumentar sua participação acionária, antevendo grandes mudanças.. E isso mesmo após o preço do Li ter atingido um patamar no mercado mundial.

Espera-se que as baterias desses carros elétricos também sejam produzidas aqui no Brasil, possivelmente por empresas chinesas. Pessoalmente, não vejo nada de errado nisso. O que acontecerá é que a mão de obra especializada, que na fábrica da Ford era majoritariamente de paulistas e mineiros, como me afirmou um motorista de Uber que trabalhou lá, será substituída por chineses.
Temos que nos adaptar. Isso não é ruim, mas é a evolução natural da nova globalização. Escrevi sobre isso e recomendei um documentário da Netflix (“American Factory”) que revela como a integração entre o Ocidente e o Extremo Oriente pode acontecer, independente dos problemas culturais, criando um intercâmbio de ideias capaz de extrair o melhor de todos os lados.
Será preciso esperar para saber se haverá a fabricação de carros autônomos, além dos elétricos. Se isso acontecer, poderíamos ver uma melhoria significativa em nossa vida no trânsito em Belo Horizonte a médio prazo.
Mais em:
https://canaltech.com.br/carros/byd-confirma-producao-de-carros-hibridos-flex-no-brasil-260532/
https://autopapo.uol.com.br/noticia/chineses-industria-nacional-carros-eletricos/
https://techcrunch.com/2022/07/25/real-driverless-cars-legal-in-chinas-shenzhen/

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