O Médico que a IA Não Pode Substituir
A inteligência artificial já chegou aos hospitais — e a pergunta deixou de ser se ela substituirá médicos, enfermeiros e outros profissionais da saúde. A questão agora é que tipo de medicina escolheremos construir com ela. Se algoritmos podem analisar exames, organizar prontuários, sugerir diagnósticos e automatizar tarefas repetitivas, usaremos esses ganhos para reduzir equipes e atender ainda mais pacientes em menos tempo? Ou aproveitaremos a tecnologia para devolver aos profissionais aquilo que a medicina moderna lhes vem retirando: tempo para ouvir, explicar, refletir e cuidar? Inspirado nas ideias de Kai-Fu Lee em (AI Superpowers: China, Silicon Valley, and the New World Order, 2018), este artigo discute um paradoxo cada vez mais urgente para profissionais da saúde, estudantes e pacientes: quanto mais capazes se tornam as máquinas de realizar tarefas técnicas — e até de simular empatia —, mais importante se torna decidir quais aspectos da medicina não queremos entregar a elas.