Notas do Subsolo: entre Dostoiévski, Fausto e a Inteligência Artificial
Este ensaio nasceu de uma pergunta inesperada em uma aula de inteligência artificial. Um aluno mencionou Notas do Subsolo, e o livro voltou para mim como uma farpa intelectual que se recusava a sair. Ao reler Dostoiévski, percebi que havia encontrado muito mais do que uma personagem literária. Encontrei um espelho — um espelho da consciência quando ela pensa demais, desce fundo demais e descobre que toda lucidez também projeta sombras. Entre o subsolo da mente humana, o impulso fáustico de ultrapassar todos os limites e a ascensão das máquinas inteligentes, este ensaio faz uma pergunta incômoda: a inteligência artificial será realmente capaz de compreender o que significa ser humano ou apenas devolverá, com precisão assustadora, aquilo que ainda nos recusamos a compreender sobre nós mesmos?