A IA não está falhando. Nossa percepção do tempo é que está.
A Lei de Amara explica a ilusão central da inteligência artificial: esperamos que a IA transforme tudo na velocidade da ficção cientÃfica e, quando a realidade avança mais devagar, passamos a tratá-la como um fracasso. Mas, enquanto o hype desmorona, a infraestrutura continua crescendo. Os sistemas especialistas decepcionaram. As redes neurais foram declaradas mortas. Os invernos da IA vieram e passaram. Depois chegaram o aprendizado profundo, os Transformers, o ChatGPT e os agentes autônomos.
O erro não está em acreditar que a IA mudará o mundo. Está em esperar a revolução no próximo ano e ignorar o que ela poderá fazer ao longo dos próximos vinte.
A IA não precisa ter consciência para eliminar tarefas, enfraquecer profissões, remodelar a educação, automatizar a burocracia, manipular informações e redistribuir poder. Ela não precisa substituir todo mundo. Basta tornar-se barata, invisÃvel e incorporada a tudo.
Provavelmente estamos superestimando a IA no curto prazo.
E quase certamente estamos subestimando o que acontecerá quando a sociedade passar a depender dela.